Postado em 29 de dezembro de 2020

Frente Ampla

Autor(a): Humberto Azevedo

Na última sexta-feira, 18, a notícia de que 11 partidos da direita à esquerda se uniam em torno “da democracia e da liberdade”, agitou os bastidores políticos em Brasília. Cidadania, DEM, MDB, PCdoB, PDT, PSB, PSDB, PSL, PT, PV e Rede Sustentabilidade, num manifesto histórico, assinavam em conjunto uma nota afirmando que constituirão uma frente ampla, apesar de todas as divergências, “para manter a chama da democracia acesa, a Câmara [...] livre, independente e autônoma”.

O resultado desta aliança histórica é decorrente de um momento único em que o país dá mostras de trilhar o caminho definitivo da eclosão, graças a um desgoverno eleito por mais de 57 milhões de brasileiros. Os onze partidos, que somam 218 deputados federais, afirmam que a união é para evitar que o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), assuma o controle da Câmara dos Deputados com uma eventual vitória do líder do PP, Arthur Lira (AL), na eleição daquela Casa que acontecerá em 1º de fevereiro de 2.021.

“Esta não é uma eleição entre candidato ‘a’ ou candidato ‘b’. Esta é a eleição entre ser livre ou subserviente; ser fiel à democracia ou ser capacho do autoritarismo; ser parceiro da ciência ou ser conivente com o negacionismo; ser fiel aos fatos ou ser devoto de fake news. É por isso que hoje nos unimos!”, escreveram os líderes dos 11 partidos da direita à esquerda.

No complexo agrupamento que envolve lados tão antagônicos, sobretudo na pauta econômica, três nomes disputam entre si a escolha para assumir a hegemonia legislativa anti-Bolsonaro. São eles: Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), ex-ministro das Cidades na gestão da ex-presidenta Dilma Rousseff e filho e neto de políticos das antigas UDN e Arena (Aliança Renovadora Nacional); Baleia Rossi (MDB-SP), afilhado político do ex-presidente Michel Temer; e Elmar Nascimento, nome de confiança do prefeito de Salvador (BA) e presidente nacional do DEM, ACM Neto.

O manifesto pela Frente Ampla ganhou força após o presidente Jair Bolsonaro fazer um discurso para milhares de comerciantes, feirantes que estavam na sede da Compahia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) na última terça-feira, 15, onde prometeu, caso o parlamentar alagoano Arthur Lira, seja o futuro presidente da Câmara, que o projeto que institui o excludente de ilicitude, uma espécie de salvo-conduto destinado a policiais envolvidos em operações que se registram óbitos, será votado e aprovado pelo parlamento.

No esteio da pauta bolsonarista, que passa ao largo da pandemia do novo coronavírus (covid-19) que já matou mais de 187 mil brasileiros, a possibilidade da pauta legislativa ser contaminada com matérias favoráveis a liberação da posse e do porte de armas, com a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos e a proibição do aborto, inclusive nos casos autorizados pela Constituição, como quando há risco para mulher, ou se registre acefalia e em caso de estupro, acendeu a luz vermelha dos setores mais progressistas da sociedade.

Em meio a este caos e a esta tragédia em que o Brasil e os brasileiros se encontram, o surgimento da frente ampla é uma luz no fim do túnel para tentar conter tamanho obscurantismo, que como se escreveu no manifesto tem como objetivo impor o “marco das leis e das instituições” àqueles “que não suportam o contraditório”. Em 2.020, com uma pandemia a parte, o país revive seu 1.968, onde golpistas e golpeados se deram as mãos para marchar contra o totalitarismo. Em 68, a vitória foi dos “gorilas” por mais de dez anos, em 2.020 só o futuro nos dirá.



** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Alfenas Hoje

Humberto Azevedo
Jornalista e consultor político
Humberto Azevedo é jornalista profissional, repórter free lancer, consultor político, pedagogo com especialização em docência do ensino superior, além de professor universitário, em Brasília (DF).

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