Postado em 25 de agosto de 2019

Enquanto juízes e parlamentares curtem “férias”, governo acelera nas polêmicas e bobagens

Autor: Humberto Azevedo

Os nobres 594 congressistas, dentre senadores e deputados federais, estão de “férias”. Uma boa parte – algo em torno de um terço das duas Casas Legislativas – partiu do Brasil. Aproveitaram o recesso extraoficial – já que oficialmente não poderiam entrar em recesso devido a não votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2.020 – e foram aos destinos internacionais. Uns em busca de férias com as famílias, outros para fazer negócios.

O certo é que estarão de volta – inclusive àqueles que preferiram tirar “férias” em destinos nacionais, ou até mesmo que estão aproveitando o período para se encontrar com suas bases nas mais diversas e remotas cidades pelo interior do Brasil – a Brasília a partir do dia 06 de agosto quando darão início ao 2º turno da reforma da Previdência na Câmara. A mesma reforma em que prometem ser a salvação da economia do país. Assim como foi a reforma trabalhista em 2017.

Do mesmo modo se encontram em “férias” os juízes e ministros dos tribunais superiores. Deixando para agosto a longa fila de processos que precisam ser julgados. A não ser nos casos daqueles escalados como plantonistas e que resolveram, dentre outras medidas, impedir investigações do filho do presidente da República, o senador fluminense Flávio Bolsonaro.

Afinal, em pleno ano de 2.019, os senhores e senhoras parlamentares, além dos meritíssimos e meritíssimas se utilizam das mesmas desculpas dadas no século XIX pelos detentores dos respectivos cargos para se ausentarem da capital federal em navios, trens a vapor e charretes reais para visitar suas distantes províncias. Tudo isso em época de instantaneidades provocadas pelas redes sociais, pelos transportes aéreos que em horas encurtam destinos e facilidades nas telecomunicações e que permitem reuniões a qualquer hora do dia ou da noite.

Enquanto legisladores e juízes vivem suas falsas realidades no Brasil da “ilha fiscal” em pleno século 21, o governo do presidente Jair Bolsonaro que já completa quase sete meses a frente da máquina pública federal acelera nas polêmicas e nas várias bobagens. Desde quando chama todos os nordestinos de “paraíbas” – modo pejorativo falado pelos cariocas ao se referir a todos oriundos do Nordeste brasileiro, até a discussão para que sejam autorizadas as vendas dos botijões de gás de cozinha com apenas metade do produto ali oferecido.

Na contramão do decreto que acabou com o horário de verão no país, o próprio presidente já fala em revisar o que foi decretado por ele. Afinal, tal decreto atende as reinvindicações de seu público eleitor das regiões Norte e Centro-Oeste do país. Já seus eleitores do Sul e Sudeste parecem que gostariam de ter de volta o horário de verão. Daí o governo pensa em mudar o que ele próprio já mudou. Ou seja, populismo barato. Nada mais do que isso.

Outra polêmica que o presidente se meteu nestes últimos dias foi com um subordinado seu, o diretor-geral do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Ricardo Galvão. Tudo porque o órgão vinculado à estrutura do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações divulgou relatório que aponta o crescimento do desmatamento da região amazônica. Como uma criança mimada, o presidente brasileiro chegou a afirmar que o órgão mentiu. Tal situação entre o presidente brasileiro e o dirigente do INPE levou o ministro da área, o astronauta Marcos Pontes, a administrar a confusão. Apoiando a criancice do presidente, seu chefe, afirmou que convocaria Galvão para uma reunião. O resultado deverá ser a demissão do diretor do INPE, ou o presidente brasileiro não será levado a sério de maneira fragorosa.

* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Alfenas Hoje

Humberto Azevedo
Jornalista e consultor político
Humberto Azevedo é jornalista profissional, repórter free lancer, consultor político, pedagogo com especialização em docência do ensino superior, além de professor universitário, em Brasília (DF).