Postado em 3 de agosto de 2020

O xadrez político

Autor(a): Humberto Azevedo

 Essa última semana, nos meios políticos da capital federal, serviu para que o já embaralhado jogo político jogado atualmente no cenário nacional ganhasse um elemento a mais para embaralhar ainda mais a já confusa situação política tupiniquim. Tal fato foi a decisão dos caciques do DEM e do MDB de se afastarem do bloco intitulado “centrão” ultimamente capitaneado pelo presidente Jair Bolsonaro com objetivo bem claro de se manterem influentes nas decisões do Poder Legislativo e evitarem de cair na isca lançada que poderá levá-los a sucumbir nas eleições municipais no final deste ano e, sobretudo, nas eleições gerais de 2.022.

Com a decisão dos agentes que comandam as agremiações fundadoras da Nova República, Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e Frente Liberal, a Câmara dos Deputados do Brasil passou oficialmente a ser dividida em cinco agrupamentos políticos, em que nenhum deles consegue ter maioria absolutamente para nada. O novo mapa político do país expõe o ambiente fragmentado e pulverizado que é a sociedade brasileira. Ninguém é de ninguém! O que força, obrigatoriamente, que todas as forças políticas tenham que se sentar à mesa e dialogar para conseguir aprovar as propostas a fim de superar este momento trágico agravado pela grave crise sanitária que nos assola.

Assim, o novo mapeamento político do país evita que o fascismo que ganhou as eleições presidenciais em 2.018 avance no seio da sociedade. Até porque a base puramente fascista que espelha de maneira idêntica ao atual ocupante do Palácio do Planalto não passa de 20 deputados que se desligaram do PSL e estão a espera da criação do “Aliança pelo Brasil” e do Novo. Esse grupo já foi apelidado de frente bolsonarista.

O “centrão”, agora desfalcado de DEM e MDB, que podia reunir até 268 deputados, não passa agora de 162 parlamentares. Esse é o número dos deputados que pertencem ao PL (antigo PR), PP (antigo PPB, PDS e Arena), PSD (que surgiu em 2.011 após um racha no DEM), Solidariedade (braço partidário da Força Sindical) e Republicanos que defende os interesses do bispo Edir Macedo e da sua Igreja Universal do Reino de Deus (IURD).

Com o anúncio de que saíram do “centrão”, DEM e MDB estão articulando juntamente ao antigo PPS e PCB (atual Cidadania), assim como com os tucanos do PSDB, Podemos e PV que reúnem 116 deputados, um novo bloco para fazer frente aos antigos aliados centristas e ao mesmo tempo esvaziar o poderio da caneta bic que comanda o Diário Oficial da União.

Paralelo ao racha no “centrão”, um outro agrupamento que reúne aliados e críticos ao atual presidente da República também começa a ser formado e que representa 84 deputados pertencentes ao Avante, Patriotas, PROS, PSC, PSL e PTB. Este grupo promete ser o fio da navalha e definir o futuro presidente da Câmara dos Deputados e sucessor do ainda todo poderoso Rodrigo Maia.

Escanteado, mas com número suficiente também para influir no rumo da prosa em que os legisladores vão definir o Brasil que teremos até dezembro de 2.022, estão os parlamentares filiados as legendas de centro-esquerda e esquerda do país: PCdoB, PDT, PSB, PSOL, PT e Rede Sustentabilidade. Juntos somam 131 deputados que com suas vozes estridentes ajudam a dar coro e voz aos bravos brasileiros que tentam resistir aos inúmeros descalabros que passaram a ser normalizados em todas as áreas desde 1º de janeiro de 2.019.

Desta forma, o xadrez político que vem sendo jogado desnuda de vez as fissuras entre as várias elites regionais que desde a formação do império brasileiro no século XIX não demonstravam tanta divisão e visões distintas de que país seríamos. Chegamos ao século XXI assim como partimos no século XIX com basicamente os mesmos desafios e problemas a serem sanados. Será que vamos saná-los como um país uno?

* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Alfenas Hoje

Humberto Azevedo
Jornalista e consultor político
Humberto Azevedo é jornalista profissional, repórter free lancer, consultor político, pedagogo com especialização em docência do ensino superior, além de professor universitário, em Brasília (DF).