Postado em 20 de julho de 2019

Um projeto calculado, o restabelecimento das novas oligarquias

Autor: Humberto Azevedo

A segunda semana de julho passou. O país e o seu povo estão prestes a terem as novas regras previdenciárias, maldosas, disciplinando suas vidas laborais pelas próximas décadas. O ano de 2019 não é um acaso, é o resultado friamente calculado nas tempestades de 2013 e que se transformou no tsunami de 2018.

A estabilização econômica alcançada pelo governo do ex-presidente Itamar Cautiero Franco entre 1992-1994 chega ao fim e uma nova velha cortina começa a ser mostrada ao público. As oligarquias que foram derrotadas em outubro de 1930 pela Revolução Liberal se transformaram, como algumas que se acabaram e outras que se adaptaram, e que surgem agora com algumas novas prontas para tomar o país de assalto.

O projeto nacional desenvolvimentista estabelecido a partir da chegada ao poder dos gaúchos na praça do Obelisco na então capital federal, Rio de janeiro, tem seu ciclo encerrado após sofrer abalos ao longo de quase 90 anos de construção. O modelo em vigor a partir de agora será o que nossas elites rurais estabeleceram em 1822 quando apostaram todas as suas fichas num país independente guiado pelo filho do monarca que nos explorava.

O Brasil rural após quase um século sabotando o Brasil industrial, venceu. O que resta do parque industrial organizado a partir da Companhia Siderúrgica Nacional nos anos 30 do século XX será entregue as corporações das nações “aliadas” com um único propósito espoliativo e exploratório para mandar todas as divisas aos novos donos, assim como nos mantemos em toda nossa fase de expansão colonial do reino português entre os séculos XVI e XVIII.

Com a única diferença que não mais aos “reis” oficiais os nossos serviços são prestados e que tampouco são guiados por uma monarquia nacional colonizada. Voltamos a origem da nossa “rés pública” destinada a atender os interesses oligárquicos. Interesses hoje que não pertencem mais aos sobrenomes pomposos e compostos das famílias quinhentistas que vieram nas caravelas.

As oligarquias modernas, muitas delas baseadas pelo senso empresarial oportunista e outras oriundas da exploração da fé ou da ignorância do povo mais simples, se ancoram por vezes em negócios à margem da lei que tantas tragédias proporcionam. O Brasil que deixou de ser o país do futuro se entrega hoje numa nação bovina pronta para o abate quando seu sangue e seu suor não mais interessam ao sistema daqueles que como vampiros vivem dos esforços alheios.

Por ora, os ruralistas que por séculos viveram do trabalho escravo e que se aproveitando da inovação tecnológica se recolocaram no jogo diante de um setor industrial que tanto ganhou dinheiro se utilizando de mecanismos herdados dos vícios do escravagismo, demonstram que serão eles novamente os donos dos brasis. Pelo menos até uma nova onda de insatisfação tomar conta e proporcionar uma nova oportunidade que, quem sabe, poderá colocar novamente o país nos trilhos do progresso social que tanto os conservadores lutam contra.

A luta seguirá, querendo, ou não, os novos poderosos de plantão. Os 519 anos de Brasil possuem demandas assustadoramente críveis o suficiente para apontar que o futuro próximo não será aquele que o presente contemporâneo quer estabelecer. Apenas os tolos e toscos acreditam que sim. Até porque a próxima reforma – a tributária – não melhorará a vida dos brasileiros e nem tampouco permitirá o apogeu do pleno emprego e da retomada do desenvolvimento nacional. Virá, sim, para diminuir os impostos de uma parte do empresariado mantendo a estrutura das taxas indiretas que incidem diretamente na vida de quem oferece produtividade a nação.

* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Alfenas Hoje

Humberto Azevedo
Jornalista e consultor político
Humberto Azevedo é jornalista profissional, repórter free lancer, consultor político, pedagogo com especialização em docência do ensino superior, além de professor universitário, em Brasília (DF).