Postado em 23 de abril de 2022

Crer na Ressureição

Autor(a): Roberto Camilo Órfão Morais

 Qual o sentido em falar de Páscoa, ‘passagem’ para uma vida nova, em meio às tantas contradições e divisões? Como falar de esperança, até mesmo contra toda esperança, em meio à tanto medo e sofrimento?

Muitos insistem em vincular o Deus da vida a um projeto de ódio e discriminação. Mas a nossa esperança cristã tem um nome: Jesus Cristo. E se fundamenta em um fato: sua ressurreição. Os cristãos devem dar sempre “razão da esperança” no meio de uma sociedade desesperançada. O “princípio esperança” dos discípulos missionários de Jesus tem seu fundamento na própria esperança iniciada por ele. Nosso Deus não é Deus dos mortos. É Deus dos vivos. A ressurreição de Jesus é a maior prova disso. É a maior prova do amor do Pai para com o Filho.

Carlos Mendoza-Álvarez, teólogo dominicano escreve na introdução do seu livro A ressureição como antecipação messiânica: “Crer na ressurreição será, em suma, insurreição de vida nova, praticada com dignidade, resiliência e esperança pelas pessoas e comunidades sobreviventes de hoje”. Crer na ressurreição é crer na vitória da vida sobre a morte. Crer na ressureição é crer no Cristo que diz: “Eu sou a ressureição e a vida”. Crer na ressurreição é colocar a vida em relevo. A Igreja proclama, professa em seu Credo: “creio na ressurreição da carne e na vida eterna”. Nós cremos na ressurreição! Nós cremos na vida!

Para o teólogo Hans Urs von Balthasar, Jesus Cristo em sua missão e Ressureição, caminha em direção contraria àquela das doutrinas filosóficas gregas sobre a morte: “não se trata de se desapegar das coisas transitórias para buscar refúgio em um Eterno, mas, ao contrário de lançar as sementes da eternidade nos campos do mundo, deixando que o reino de Deus venha brotar nesses mesmos campos”.

É interessante observar que as primeiras testemunhas da ressureição de Jesus foram as mulheres. Por razões óbvias, pois elas que cuidaram de Jesus durante a vida, souberam cuidar na morte. Essas mulheres, nos ensinam que quem permanece cuidando até o fim, são as primeiras testemunhas do mistério da ressurreição.

O crer, o testemunhar à ressureição, está vinculado ao saber cuidar. A Páscoa é tempo de renovar esse valor ético, responsável por manter e recriar a própria vida. É tempo de revisitarmos a ética do cuidado se, desejamos continuar a existir neste Planeta chamado Terra.

A fé cristã, revela, “um Deus sensível ao coração”. Amar, sem medo, ensina os evangelhos, porque a morte não é a última palavra, mas nos integra e reúne, para toda a eternidade. Para Leonardo Boff, com a ressureição, “tudo se torna imediato, presente e integrado: o eu, o corpo, a alma, o cosmo e Deus”.

Todos os dias Jesus morre crucificado devido nosso egocentrismo e ressuscita no saber cuidar de homens e mulheres generosos e solidários. A ressureição de Jesus de Nazaré abre um futuro de vida plena, plena vida para toda a humanidade. Sua ressurreição é o fundamento e a garantia da nossa ressurreição.

A fome, as guerras, os genocídios e os terrorismos já não tem a última palavra: A vida ressurge dos escombros da morte. Jesus, o Vivente está no meio, no coração da comunidade cristã e diz para cada um de nós: “Coragem! Eu venci a morte.”

Eder Vasconcelos, franciscano e escritor. Autor de diversos livros, entre eles, Contemplar e o Caminhar ed. Santuário.


** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Alfenas Hoje

Roberto Camilo Órfão Morais
Professor
Professor de Ciências Humanas do Instituto Federal Sul de Minas - Campus Machado.

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