Postado em 19 de julho de 2021

De Esperança em esperança!

Autor(a): Roberto Camilo Órfão Morais

 Essa semana pude assistir novamente ao documentário “Coragem! As muitas vidas do Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns”, agora disponibilizado no You tube. Trata-se do registro da trajetória de um dos homens mais importantes da história recente do Brasil. O documentário enfatiza sua pastoral, protagonizada contra todo tipo de violência e sua dedicação na defesa dos pobres. Dom Paulo é uma das maiores referências na luta pela Democracia. Em seu lema Episcopal nos deixa maravilhosa mensagem para tempos sombrios: Ex spe in spem – “De esperança em esperança”!!!!!

Em tempos sombrios, ocorre o que a filósofa Hanna Arendt classificou como “a banalidade do mal”; ou seja, quando as pessoas abdicam do ato de pensar, definido como diálogo silencioso do ‘eu’ consigo mesmo, elas perdem a capacidade de reformar sua consciência. A banalidade do mal tem proporcionado uma onda de ódio e imbecilidade nas redes socias; como tão bem nos explicou o escritor e filósofo italiano, Umberto Eco.

É inspirador e confortante ver o documentário, quando assistimos pelos telejornais o maior ‘Mandatário da República’ gritar com uma jornalista: “cale a boca!”. É inspirador e, confortante, pois nos faz perceber que o autoritarismo e, a arrogância, são derrotados nas esquinas da própria história, pela força da esperança.

O ‘não pensar’, tem criado sérios riscos à existência da Democracia; conquistada com a contribuição profética do Cardeal Arns. Risco, por exemplo, demonstrado no clima de intolerância de grupos extremistas, no último fim de semana; que, induziu, uma pessoa em cometer crime. Infelizmente, a cidade de Machado naqueles dias se tornou referência nacional de violência, diante do direito constitucional em se manifestar, livremente, contra esse genocídio que, já matou mais de meio milhão de brasileiros.

Tudo é política, embora a política não seja tudo. Mas, temos a certeza que o descaso com a saúde pública, a desinformação, a violência, não são política, mas sim, sua negação. Em última análise, como nos ensinou Aristóteles, na antiguidade grega, ‘negar a política é, negar a essência do ser humano, em seu ato de pensar’.

Que, a memória da Trajetória de Dom Paulo Evaristo Arns, nos ajude a continuar levantando cruzes, como símbolo de “amor ao próximo”; e, com ternura e vigor, impedir que elas sejam derrubadas. Como nos ensina Santo Agostinho, “a esperança tem duas filhas lindas, a indignação e a coragem: a indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão; a coragem, a mudá-las”. 




** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Alfenas Hoje

Roberto Camilo Órfão Morais
Professor
Professor de Ciências Humanas do Instituto Federal Sul de Minas - Campus Machado.

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