Postado em 30 de dezembro de 2021

Gratidão e Alegria. Feliz Ano Novo!!!

Autor(a): Roberto Camilo Órfão Morais

 Com as festas de réveillon somos acometidos por dois sentimentos fundantes: gratidão e a alegria. A gratidão é “a mais agradável das virtudes e, o mais virtuoso dos prazeres”, segundo André-Sponville. A alegria é expressão de vivacidade e bem fluir da vida. Para Baruch Spinoza, “Quanto mais alegria nós temos, mais perto da perfeição nós estamos”.

Mas como ter sentimento de gratidão e alegria após um ano de tantos desafios?

A gratidão, como afirma Sponville, “é um mistério, não pelo prazer que temos com ela, mas pelo obstáculo que com ela vencemos” e, como vencemos obstáculos!

A alegria, tem sua raiz na própria gratidão, está muito bem elucidada no livro “A Pedagogia da Alegria” do escritor franciscano Eder Vasconcelos, “A alegria verdadeira é alegria compartilhada no espírito da compaixão e da solidariedade”. Para ele, alegria não significa negação da dor:” é “o dom da compaixão”, a ser compartilhada.

Parafraseando o poeta Vinícius de Moraes, apesar de todos os encontros e desencontros, com arte seguimos em frente, eis a razão de estarmos gratos e alegres, pois percebemos o vibrar da vida em nós. Dando graças, bem como está gravado nas Escrituras Sagradas, em 1º Tessalonicenses 5:18, “Deem graças em todas as circunstâncias.”

A gratidão não é ansiedade com o que virá, isso caracteriza a vida do tolo como explica o filósofo da Antiguidade Grega Epicuro. Gratidão é o inverso do arrependimento, “é regozijo com o que passou ou com o que é”. É compreender nossa história de vida, nos acertos e erros e, reconciliar com presente. Já a alegria, conforme o escritor Eder Vasconcelos, “não é algo que acontece assim sem mais nem menos”. É uma escolha continua de todos os dias, “é uma marca, é um sinal. É um dom”.

Martin Heidegger nos ensina que, “o arrepio da angústia corre incessantemente através do ser humano”, para o filósofo alemão, angústia é possibilidade plena, um tudo a se fazer. Portanto podemos afirmar que a passagem de ano, além de ser um tempo de gratidão e alegria, é também tempo de possibilidade, de desejo.

Que consigamos no Novo Ano, ter a oportunidade de superar a intolerância e substituir o ódio por uma cultura do amor, que a tudo fecunda, como nos lembra o Papa Francisco, “o amor fecunda famílias e amizades; mas é bom lembrar que também fecunda relações sociais, culturais, econômicas e políticas, permitindo-nos construir uma “civilização do amor”, como gostava de dizer São Paulo VI e, na sua esteira, São João Paulo II.”

No amanhecer do novo ano, saibamos nos comprometer com a construção de uma sociedade mais justa e igualitário, onde ninguém vá dormir com fome e todos possam ver resgatado sua dignidade; saciando assim, a fome de pão e de beleza.

Logremos em livrarmo-nos do obscurantismo e, de todos os ismos, que manipulam nossos sonhos semeando discórdia, até mesmo no meio familiar, corrompendo o tecido social. Que se encerre definitivamente a estupidez, presente naqueles que deveriam ser exemplos de maturidade e discernimento. E, finamente, em uma atitude de fé, adoremos a Deus, não acima de nós, mas entre nós. Na pessoa do próximo, merecedor de toda a reverência como filhos e filhas de um Deus que é puro amor.

Que a gratidão e a alegria em 2022, sejam permanentes em nosso dia a dia: um sim e um amém, à plenitude da vida, pois isso nos torna pessoas livres e repletas de realizações.


** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Alfenas Hoje

Roberto Camilo Órfão Morais
Professor
Professor de Ciências Humanas do Instituto Federal Sul de Minas - Campus Machado.

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