Postado em 21 de novembro de 2021

Fé e Razão

Autor(a): Roberto Camilo Órfão Morais

 Refletir sobre o tema Fé e Razão é de extrema urgência, tendo em vista o crescimento de distintos fundamentalismos, com face religiosa e política, que trata esse tema pelo viés de oposição.

Diferentes pensadores assinalam que o princípio Judaico- cristão, de uma vida eterna, no desdobrar dos acontecimentos históricos, tornou-se muito mais “atraente”, do que o princípio da antiguidade Grega de vida boa, baseado na harmonia com o Cosmo. Porém esses mesmos pensadores registram que, com o triunfo do Cristianismo, a razão é em parte destronada ao longo do tempo, em proveito da revelação e da fé.

Afirmam ainda que o humanismo desenvolvido a partir do século XV, tratou de romper com esse Teocentrismo, fundando o sentido da existência, no homem como tal, em sua razão e sua liberdade. Não mais o cosmos como referência, como os antigos Gregos acreditavam e, muito menos ainda em uma divindade, como pregava o cristianismo.

No final do século XIX, com a filosofia da desconstrução, aprofundou-se o princípio do homem e a mulher como medidas de todas as coisas. Com a defesa da morte de todas as formas de “mitos”, sejam eles sustentados pela religião, metafísica clássica ou ideologias “progressistas”.

O paradoxo da contemporaneidade é que, apesar dos avanços tecnológicos obtidos durante o século XX, ocorreram também grandes tragédias humanitárias, suscitando, nesse início do século XXI, uma crise da própria racionalidade.

Em um mundo fragmentado as explicações do racionalismo são insuficientes diante da velocidade e imprevisibilidade do real. Basta refletirmos sobre as consequências dessa crise pandêmica que estamos passando.

A crise da racionalidade representa a crise da própria modernidade que, por sua vez, tem provocado uma busca frenética pela Fé. Busca, em boa parte, desembocada no obscurantismo.

Nesse contexto histórico é de fundamental relevância a promoção do diálogo entre a Fé e Razão. Negar esse diálogo é cair em duas situações nocivas à humanidade: a indiferença provocada pelo racionalismo e, a intolerância provocada pelo fundamentalismo.

Na Carta Encíclica FIDES ET RATTIO, São João Paulo II elucida que a fé e a razão constituem, como que, as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade.

Para o Papa emérito Bento XVI, a formula “Credo quia absurdum”,”Creio porque é absurdo”, não interpreta a fé católica, “Deus de fato não é absurdo; no máximo é mistério.” E “se ao olhar para o mistério, a razão vê escuridão, não é porque no mistério não haja luz, mas sim porque há demasiada luz”.

Papa Francisco, evidencia os benefícios para a sociedade no diálogo entre ciência e fé, pois para ele esse diálogo abre novos horizontes ao pensamento: “Os progressos científicos devem ser iluminados com a luz da fé, para que respeitem a centralidade da pessoa humana”.

Concluo esse artigo citando as palavras de um cientista que soube com sabedoria promover o diálogo entre a Fé e Razão, Newton Freire Maia, Doutor em Ciências Naturais, em seu clássico livro “Criação e Evolução”: “Mito, fé e ciências são facetas de uma mesma realidade: visões da verdade sob ângulos diversos; aparências de diversidade dentro de uma Unidade inconsútil; reflexos de Deus na multidão infinita de cores e formas que compõem o universo.”


** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Alfenas Hoje

Roberto Camilo Órfão Morais
Professor
Professor de Ciências Humanas do Instituto Federal Sul de Minas - Campus Machado.

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