Postado em terça-feira, 3 de novembro de 2026 às 23:23

Denúncia contra lista de boicotes a comércio é protocolada no MP

Ameaça compartilhada pelo WhatsApp virou alvo de denúncia junto ao Ministério Público.


 Alessandro Emergente

A lista de boicotes a comerciantes e profissionais liberais, por opções políticas, virou alvo de uma denúncia protocolada no Ministério Público (MP). As listas estão sendo compartilhadas como uma ameaça de retaliação por posicionamentos políticos favoráveis à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O presidente da Câmara Municipal, Matheus Paccini (PDT), informou que protocolou uma notícia de fato junto ao MP na tarde de terça-feira. “Espero que quem errou, pague! E que todos nós aprendamos com esse momento. Ninguém deve perseguir ninguém, muito menos quem mantém essa cidade funcionando, gerando emprego e renda”, disse.

O documento levado ao Ministério Público foi elaborado pelos advogados Daniel Murad, conselheiro da OAB de Minas Gerais (Ordem dos Advogados do Brasil/Minas Gerais), e Daniel Silveira. “Foi um trabalho hercúleo de reunir tudo e a construção de um documento robusto, construído por mim, assessoria e nossos advogados no caso”, declarou Paccini ao referir-se a Murad e Silveira.

Na sexta-feira, Murad já havia adiantado que preparava a notícia de fato e que, além da representação junto ao MP, em Alfenas, o caso também seria levado ao Observatório da Democracia, instituído pela seccional mineira da OAB. “A democracia precisa ser preservada e defendida. Não podemos permitir que esse discurso de ódio prejudique o país”, disse.

O conselheiro da OAB disse que é preciso apurar as diversas denúncias de assédio político e eleitoral e da produção e compartilhamento de listas que propõem boicote a profissionais liberais e empresas de Alfenas.

Em outras cidades

As ameaças de boicote a comerciantes e profissionais liberais devido a posicionamentos políticos têm virado alvo de denúncias em várias cidades do país. Em Pouso Alegre, por exemplo, a notícia de fato foi feita pela vereadora Lívia Macedo (PCdoB) e por um grupo de moradores.

A circulação de listas de boicote direcionadas a comerciantes e prestadores de serviço ganhou força em diversas regiões do Brasil logo após a consolidação do resultado do segundo turno das eleições presidenciais de 2026. O movimento é coordenado principalmente por meio de aplicativos de mensagens, como o WhatsApp, e redes sociais. A criação e a circulação de listas de boicote político podem configurar crimes e infrações de natureza cível, trabalhista e eleitoral.



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