Postado em quarta-feira, 3 de junho de 2020

Confira 23 clássicos da Literatura Brasileira que valem a pena ler

Com clássicos que transcendem gerações, a literatura brasileira oferece um extenso leque de obras importantes


 Manaus - Muito além de livros cobrados em vestibular, os clássicos da literatura brasileira relembram épocas diferentes e distantes, mostram realidades longes das atuais e são brechas para observar a riqueza que o vasto Brasil oferece. O EM TEMPO selecionou algumas das maiores obras de escritores brasileiros e amazonenses, confira:

Macunaíma, de Mário de Andrade

Um dos romances modernistas mais importantes da literatura brasileira, o anti-herói Macunaíma é lembrado pela característica mais marcante, a preguiça, sendo, inclusive, exemplificado como o reflexo do brasileiro.

Nascido numa tribo amazônica, às margens do mítico rio Uraricoera, Macunaíma viveu a infância fazendo travessuras, falando palavrões, flertando com as mulheres, e assumindo diversas faces, até o momento em que se transforma num homem branco, loiro e de olhos azuis, ao mergulhar num poço encantado.

Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis

Em 1881, Machado de Assis lançou aquele que seria um divisor de águas não só em sua obra, mas na literatura brasileira: Memórias póstumas de Brás Cubas. Ao mesmo tempo em que marca a fase mais madura do autor, o livro é considerado a transição do romantismo para o realismo.

Iniciando a narrativa na morte do protagonista, o cadáver narra a infância, os diversos amores de Brás Cubas, a vida adulta de Cubas, as diversas tentativas de trabalho e de invenção com elegância e humor negro.

Dois irmãos, de Milton Hatoum

O segundo romance do aclamado escritor amazonense Milton Hatoum foi lançado em 2000, ganhou o Prêmio Jabuti de literatura brasileira na categoria de Melhor Romance e foi publicado nos Estados Unidos e diversos países da Europa. Passando-se em Manaus na época do Regime Militar, o livro narra a história da relação conturbada entre dois irmãos gêmeos, Yaqub e Omar, de uma família de ascendência libanesa.

Junto com a família, moram Domingas, a empregada, e seu filho, um menino cuja infância é moldada justamente por esta condição: ser o filho da empregada. É este menino que, trinta anos depois dos acontecimentos, vai contar o que testemunhou calado: histórias de personagens que se entregaram ao incesto, à vingança e à paixão desmesurada. O livro virou minissérie.

O Cortiço, de Aluísio Azevedo

O Cortiço é um romance naturalista publicado em 1890, que denuncia a exploração e as péssimas condições de vida dos moradores das estalagens ou dos cortiços cariocas do final do século XIX. A obra retrata a vida das pessoas simples em um cortiço do Rio de Janeiro.

Dono do Cortiço, João Romão é um português ambicioso que explora os empregados. Além de proprietário da habitação coletiva, ele é dono de uma pedreira e uma taverna, e além de João, a trama acompanha diversos personagens, sem que haja a presença de um protagonista.

As Três Marias, de Rachel de Queiroz

Um dos livros em que a autora mais destacou os papeis impostos às mulheres na sociedade, a trama é iniciada em um colégio de freiras, onde Maria Augusta, Maria da Glória e Maria José se tornam amigas. Com o passar dos anos, cada uma toma um rumo distinto. Maria da Glória se casa e se torna uma mãe atenciosa, Maria José decide se dedicar totalmente a religião, e Maria Augusta parte em busca de independência.

A Escrava Isaura, de Bernardo Guimarães

Romance que procura retratar a sociedade brasileira do século XIX, tendo como pano de fundo a escravidão. O autor cria um romance em que o amor é instrumento de denúncia da hipocrisia de seu tempo.

"A Escrava Isaura" é uma obra que está na mente de praticamente todos os brasileiros, posteriormente ao livro, foi reproduzido também em telenovela: a lendária história de amor entre Isaura, a escrava branca, e Álvaro, a perversidade de Leôncio e as reviravoltas típicas do romantismo fizeram da obra um marco na cultura brasileira.

Dom Casmurro, de Machado de Assis

Um dos maiores clássicos da literatura nacional e também aclamado internacionalmente, foi publicado e traduzido em mais de 15 países: o exemplar pode ser lido em italiano, francês, inglês, espanhol, turco, alemão, sueco, polonês, russo e outros idiomas.

O romance entre Capitu e Bentinho e a sombra do melhor amigo, Escobar, que está no rosto do único filho do casal, é motivo de estudos e discussões até hoje, desde a publicação em 1990, quando a pergunta ‘’traiu ou não traiu?’’ é feita.

Amazonas: Pátria da Água, de Thiago de Mello

Neste livro, o poeta amazonense Thiago de Mello e o fotógrafo Luiz Cláudio Marigo retratam a Amazônia como a pátria da água. O leitor é convidado a conhecer o mais belo fruto do chão da floresta: o homem amazônico, cujo convívio com a natureza é tão harmonioso que eles parecem nascidos um para o outro.

Os Sertões, de Euclides da Cunha

Os Sertões é um livro do escritor e jornalista brasileiro Euclides da Cunha, publicado em 1902. É considerado como o primeiro livro-reportagem brasileiro. Trata da Guerra de Canudos, no interior da Bahia. Euclides da Cunha presenciou uma parte da guerra como correspondente do jornal O Estado de S. Paulo.

Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antônio de Almeida

Escrito em folhetins, o livro rompeu o ciclo de heróis e heroínas e aventuras amorosas para narrar o cotidiano das classes populares, suas desventuras e o anti-herói por excelência: o malandro. O protagonista Leonardo nada tem em comum com os heróis românticos da época. Desde muito cedo deu as costas para a vida acadêmica e religiosa para desfrutar do ócio. Não sofre remorsos nem dores de amor, e quando é feito sargento se identifica mais com a malandragem do que com as forças da ordem.

Com narrativa centrada nos homens livres, mas despossuídos, do Brasil dos tempos de d. João VI, este romance pioneiro oferece um panorama cômico e precioso do modo de vida e da moralidade incrivelmente adaptável de um país ainda em construção.

Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada, de Carolina de Jesus

Traduzido para 15 idiomas, o livro reproduz o diário de Carolina de Jesus, como forma de biografia. Nascida em uma comunidade rural de Minas Gerais, a autora migrou para São Paulo, mais especificamente para a favela do Canindé, onde permaneceu a maior parte da vida.

Negra e marginalizada, ela trabalhava como catadora de material reciclável e usava os cadernos que encontrava no lixo para escrever. Na obra, a escritora reflete sobre desigualdade e injustiça a partir de acontecimentos do seu cotidiano.

Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto

Considerado por diversos críticos como o maior romance do pré-modernismo brasileiro, a obra narra as desventuras de Policarpo e sua atitude peculiar, muitas vezes incompreendida.

Ao longo de toda a narrativa, quem lhe faz contraponto é Ricardo "Coração dos outros", a seu lado desde a alegria do momento inicial – as aulas de violão em domicílio – até a desdita da morte anunciada.

Gabriela, Cravo e Canela, de Jorge Amado

Apesar de ser conhecido pela famosa novela, que se tornou uma das mais aclamadas internacionalmente, o romance entre o sírio Nacib e a mulata Gabriela e publicado tem 1958 também se tornou sucesso mundial.

Um dos mais sedutores personagens femininos criados por Jorge Amado, tem como pano de fundo, em meados dos anos 1920, a luta pela modernização de Ilhéus, em desenvolvimento graças às exportações do cacau. Com uma sensualidade inocente, Gabriela não apenas conquista o coração de Nacib como também seduz um sem-número de homens ilheenses, colocando em xeque a lei que exigia que a desonra do adultério feminino fosse lavada com sangue.

Vidas Secas, de Graciliano Ramos

Vidas secas acompanha a trajetória da família de Fabiano, Sinhá Vitória, os dois filhos do casal e a cachorra Baleia na fuga do sertão em busca de oportunidades. É o romance em que Graciliano alcança o máximo da expressão que vinha buscando em sua prosa: o que impulsiona os personagens é a seca, à procura de meios de sobrevivência e um futuro.

A Paixão Segundo G.H., de Clarice Lispector

O enredo trata de uma mulher identificada apenas pelas iniciais G.H., que depois de demitir a empregada e tentar limpar o quarto, relata a perda da individualidade após ter esmagado uma barata na porta de um guarda-roupa.

No dia seguinte, ela narra a própria impotência de escrever o episódio. A história se organiza em capítulos de sequência sistemática - cada um começa com a mesma frase que serve de fechamento ao anterior. A interrupção, assim, é elemento de continuidade, numa representação simbólica do que é a experiência de G.H.

Iracema, de José de Alencar

Uma das histórias de amor mais aclamadas da literatura brasileira, Iracema apresenta o romance do herói branco com a bela índia Iracema.

O valente guerreiro português Martim tem a missão de fiscalizar a costa cearense contra invasões estrangeiras. Desse amor proibido nasce o primeiro mestiço, símbolo do povo brasileiro. Obra mais conhecida da literatura romântica nacionalista de José de Alencar, Iracema é uma aventura épica recheada de lirismo poético.

Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa

Considerado por muitos como o maior escritor brasileiro, João Guimarães Rosa lançou sua epopéia Grande Sertão: Veredas em 1956. O livro é não só um clássico da literatura lusófona, mas também mundial.

A história se passa no sertão brasileiro e acompanha a jornada do jagunço Riobaldo, as guerras e conflitos no sertão e também seu relacionamento com o intrigante jagunço Diadorim. O escritor traz a linguagem sertaneja para a voz de seu protagonista, utilizando neologismos que muitas vezes podem ser incompreensíveis, mas que fazem total sentido na saga que é ler este grande clássico literário.

Mundo, mundo, vasto mundo, de Carlos Gomes

O livro de contos do amazonense Carlos Gomes conta histórias expressivos da vida em Manaus nos anos 50 e 60 do século passado, e inspirou a premiada curta-metragem ‘’A Estranha Velha que Enforcava Cachorros’’.

O tom crítico se sobressai nas histórias, com o narrador abordando temas como a cultura popular, o êxodo rural, a monotonia das repartições públicas e o clima político da época.

A Moreninha, de Joaquim Manoel de Macedo

A primeira obra de ficção do período romântico brasileiro. Foi também o primeiro romance a trazer os hábitos da burguesia carioca da época para as páginas. Em uma viagem, 4 estudantes de medicina fazem uma aposta de que se um deles se apaixonasse durante o veraneio, teria que escrever um livro a respeito. Um deles se apaixona pela Moreninha, mas já está comprometido.

Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues

Um grande marco da dramaturgia brasileira, Vestido de Noiva apresenta os devaneios e memórias de Alaíde, uma mulher que acaba de ser atropelada. A trama possui um forte teor psicológico e tem as ações apresentadas em 3 planos distintos: realidade, memória e alucinação.

Nova Antologia Poética, de Mário Quintana

Conhecido como "o poeta das coisas simples", Mário Quintana sempre se utilizou da ironia como recurso criativo em suas obras. Isto não é diferente em Nova Antologia Poética onde foi publicada uma seleção minuciosa de poesias do autor.

Mar Absoluto, de Cecília Meireles

Mar Absoluta traz um conjunto de poemas de Cecília Meireles nos quais ela explora muito das suas origens familiares portuguesas, trazendo o mar como símbolo da época dos descobrimentos. Aborda ainda a plenitude do mar por uma ótica de perigo, de confronto. O título traz ainda a ideia de mar infinito, sem limites nem barreiras.

O Sítio do Pica-pau Amarelo, de Monteiro Lobato

O principal clássico da literatura infantil brasileira. O Sítio do Pica-pau Amarelo é uma série de 23 livros sobre as aventuras dos netos da Dona Benta, Pedrinho e Narizinho. Passam por mil e uma aventuras na companhia de seus inseparáveis bonecos Emília, a boneca de pano falante e Visconde de Sabugosa, um sábio boneco de sabugo de milho. Aventuras que pontualmente acabam a tempo de comer os quitutes preparados pela Tia Nastácia.

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: Em Tempo