Postado em domingo, 24 de fevereiro de 2013
às 22:25
Volume de água no Lago de Furnas é 65% menor do que em 2012
O volume de água no reservatório de Furnas, no mês de janeiro, ficou 65,7% menor do que no mesmo período do ano anterior. É o que revela o ONS.
Alessandro Emergente
O volume de água no reservatório de Furnas, no mês de janeiro, ficou 65,7% menor do que no mesmo período do ano anterior. O nível vem se recuperando, mas o baixo volume no final do ano passado (que chegou a 15,9% em novembro), faz com que o volume seja um dos mais baixos da última década. É o que revela o histórico registrado pelo Operador Nacional do Sistema (ONS).
De acordo com o ONS, em janeiro o Lago de Furnas fechou com 32,25% de água armazenada em relação a sua capacidade. No anterior, neste mesmo período, o volume útil foi bem maior: 94,10%. Ou seja, 65,7% a mais.
Desde 2000, os níveis mais baixos haviam sido registrados em 2001, quando o volume útil ficou em 23,55% da capacidade do reservatório, e em 2000, quando ficou em 26,74%. Porém, nos últimos anos, o volume ficava sempre em torno de 90% da capacidade no mês de janeiro.
Recuperação
O nível do Lago de Furnas vem se recuperando e o último boletim divulgado pelo ONS, em 15 de fevereiro, aponta que o reservatório já está com 46,5% da sua capacidade.
Fotos: Daniel Beraldo/Arquivo da Folha do Lago

Lago de Furnas sobe 7 metros e, aos poucos, a economia se recupera. Acima,
situação em que o reservatório ficou no final do ano passado
O Lago já subiu mais de 7 metros desde que chegou ao nível mais crítico, quando atingiu 753,18% acima do mar. Ou seja, somente a três metros do mínimo para que o sistema entre em colapso e pare de gerar energia elétrica na hidrelétrica de Furnas.
A última medição, divulgada pelo Operador Nacional do Sistema, aponta o Lago com 760,49 metros acima do nível do mar.
No final do ano passado, o governo federal começou a ligar as termelétricas do País com o objetivo de preservar os reservatórios e não correr o risco de um colapso no sistema. Havia uma resistência em acionar as termelétricas por representar maior custo para os cofres públicos.
Alerta
A necessidade de ligar outras fontes geradoras de energia vinha sendo defendida pelo deputado estadual Pompilio Canavez (PT), que preside a Frente Parlamentar em Defesa da Água, instaurada pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Ele já presidiu a Alago (Associação dos Municípios da Região do Lago de Furnas) quando foi prefeito de Alfenas.
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Lago de Furnas chegou a ficar apenas três metros acima do nível mínimo
para que o sistema de geração de energia elétrica não parasse
Aos poucos, o nível do reservatório se aproxima da Cota 762. Este é o nível mínimo do Lago que não prejudica as atividades econômicas da região como a piscicultura, o turismo e o comércio.
Lideranças da região reivindicam o estabelecimento do nível mínimo em 762 metros acima do nível do mar – a Cota 762 como ficou conhecida. Porém, o ONS nunca assumiu o compromisso oficial para estabelecer a cota mínima, uma vez que o objetivo principal é acumular água para a geração de energia elétrica.
Histórico
No início do mês, uma comitiva, com lideranças da região, esteve em Brasília reunida com o diretor-presidente da ANA (Agência Nacional de Águas), Vicente Andreu. O grupo foi reivindicar medidas de proteção para a região do Lago de Furnas em futuros períodos de seca.
Andreu e o presidente do ONS, Hermes Chipp, se comprometeram a vir à região discutirem as propostas com maior profundidade. O contato com Chipp foi feito por Pompilio no final do ano passado, quando a região teve perdas econômicas devido à queda no nível do reservatório de Furnas.

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