Postado em quarta-feira, 5 de setembro de 2012 às 23:56

Menino de 14 anos tira criança de 6 da boca de um cão pitbull

Um ataque de cão feroz na noite de sábado, 1º de setembro, poderia ter um desfecho ainda mais trágico se não fosse o raciocínio rápido e a agilidade de um adolescente de 14 anos.


Maykon Alvarenga

Um ataque de cão feroz na noite de sábado, 1º de setembro, poderia ter um desfecho ainda mais trágico se não fosse o raciocínio rápido e a agilidade de um adolescente de 14 anos. Após ver o desespero das pessoas que não conseguiam tirar uma menina de 6 anos da boca de um pitbull, o estudante não perdeu tempo e colocou em prática um procedimento que viu pela TV, fazendo com que o cachorro soltasse a criança.

O caso ocorreu por volta das 18h30 no Bairro Jardim Aeroporto, próximo a rotatória do “Cruzeiro”. A pequena Manoela Kyara Cruz voltava da “área verde” com familiares, dentre eles outras crianças (inclusive uma de dois anos), quando um pitbull, que fugiu de uma residência da Rua Corsina Pinto Campos, pulou sobre ela. Com a menina no chão, o animal mordeu na perna esquerda, na altura da coxa e da virilha, e a arrastou até um terreno baldio.

“Ele surgiu de repente e foi direto na minha menina. Eu não estava lá, mas a minha cunhada viu e disse que o cachorro só não pegou na cabeça porque ela caiu. Depois que arrastou a Manu, as pessoas tentaram de todo jeito fazer com que ele soltasse, mas não conseguiram”, contou o pai da criança, Júlio Cesar Pereira Ferreira.

Fotos: Maykon Alvarenga 


O terreno para onde a criança foi arrastada pelo pitbull fica próximo a uma escola infantil

Com os gritos das crianças e dos familiares que pediam socorro, outras pessoas tentaram ajudar batendo no cão com pedaços de pau e com vassouras. Tudo em vão, pois o cachorro mantinha a perna da garota presa à mandíbula. No entanto, ele não a sacudiu, o que poderia fazer com a perninha se dilacerasse.

Cena de TV

Foi então que entrou em cena o estudante Mateus Wendling Martins, de 14 anos. Morando perto da rotatória, ele seguia de bicicleta para o clube do bairro quando ouviu a gritaria. “Minha avó tinha subido na minha frente e fiquei para pegar algumas coisas. Quando saía escutei os pedidos de socorro, mas pensei que eram as crianças brincando”, lembrou o estudante do 8º ano do Colégio Atenas.

 

Apesar da atitude corajosa, Mateus não éconsiderado pela mãe
um herói: "Ele prestou um serviço para a comunidade"

Ao chegar mais perto, Mateus viu várias pessoas com pedaços de pau, porém apenas uma mulher (a tia) tentava abrir a boca do pitbull. “Eu fui onde ela estava e já segurei a cabeça do cachorro com as duas mãos. Apertei os dedões (polegares) nos nervos atrás das orelhas dele e os dedos grandes enfiei no canto da boca e puxei. Ele soltou na hora a perna e pedi para a mulher tirar a menina de perto”, narrou o garoto, que disse ter visto procedimento semelhante num programa de TV, exibido no ano passado. “Era sobre encantamento de cães”, lembra.

  

Menina de 6 anos sofreu lesões profundas na perna esquerda

Mesmo com Manoela livre, Mateus se manteve agarrado ao cão, pois havia o risco de ser mordido também. “Fiquei deitado sobre ele, com ele virado de barriga para cima. Quando vi que tava bravo e queria me morder, agarrei e segurei bem firme por uns cinco minutos até que uma pessoa chegou dizendo que era o dono, colocou a coleira, me agradeceu e levou o cachorro”, disse.

Família traumatizada

Bastante ferida e em estado de choque, a menina foi transportada por uma testemunha até o Hospital da Santa Casa. Como não havia pediatra, a mãe Monique Cristina da Cruz a levou de taxi até o Hospital Universitário Alzira Velano, onde médicos previamente informados já aguardavam. Não houve fraturas, porém Manoela teve 14 perfurações profundas principalmente na região da coxa e virilha. Como não consegue se locomover sozinha ela não está indo para aula na Escola Estadual Dirce Moura Leite.

Além disso, a mãe Monique, que é babá, e o pai Júlio, que é servente de pedreiro, também não estão trabalhando para ficar junto da filha que requer cuidados, pois ainda há o trauma. “Não é só ela, as meninas pequenas que viram tudo estão com medo até do cachorro de casa. Tenho que dar banho nela, fazer os curativos e passar uma pomada cirúrgica, para recuperar o tecido. Tudo muito difícil e caro”, lamenta a mãe que até esta quarta-feira (5) não havia recebido nenhuma colaboração do proprietário da casa de onde o pitbull escapou.


Assumindo responsabilidade

Para Márcio José Martins, de 33 anos, dono do pitbull, neste caso uma fêmea de cinco anos, o fato foi uma fatalidade. Criador da raça, ele afirmou na tarde de terça-feira (4) que esta foi a primeira vez que algo do tipo ocorreu em sua casa. “Crio a raça há 13 anos e nunca tive problema, mesmo com animal bem feroz que era o pai da Pandora. Ela é sociável, tenho sobrinhos de dois anos e de seis, da idade da menina, que brincam com ela sem nunca ter acontecido nada”, argumentou ele, que admitiu uma falha na segurança. “Foi a primeira vez e espero que seja a última, mas nada tira a nossa responsabilidade no que aconteceu”, concluiu Martins.

 

Donos da pitbull Pandora, Márcio e Carolina disseram que este foi o primeiro
caso de ataque envolvendo um cão da família 

Na noite do acidente nem ele e nem o pai, Belvio José Martins, de 72 anos, estavam na casa e, somente a irmã Carolina Souza Martins, de 17, se encontrava no local. De acordo com a própria adolescente, um portão lateral na parte interna do imóvel ficou aberto, o que possibilitou a saída do animal. “Minha irmã estava me esperando e deixou o portão da frente entreaberto. Soltei a Pandora e não vi que um dos portões da lateral da casa estava aberto. Ela saiu e depois passou pelo portão da frente na hora que as crianças passavam”, relatou.

Carolina acredita que Pandora estranhou o barulho de um carrinho que as crianças usavam. “Ela ficou irritada com o carrinho. Ela é calma, mas se agita quando escuta alguma coisa estranha, esses carrinhos de plástico que empurram crianças, por exemplo”, falou a garota que informou não ter visto o ataque. “Quando escutei o barulho ela já tinha mordido a menina. Fui lá tentar tirar ela de cima da menina, mas não consegui”, explicou.

Herói não

Tatiana Janotti, mãe de Mateus, não quer que o filho seja chamado de herói, porém considera que ele prestou um grande serviço para a comunidade. “Ele evitou que algo pior acontecesse e é uma coisa que poderia ter acontecido com a irmãzinha dele. Fiquei surpresa por ele ter segurado um pitbull, mas não com a atitude dele. Ele tem o exemplo meu e do pai dele que teriam feito a mesma coisa”, concluiu ela que passou a ter outra preocupação. “Em sete anos que moro aqui não sabia que tinha um pitbull tão perto de casa. Já avisei as crianças para não passarem naquela rua quando forem ao clube”, completou.

Já Júlio César foi taxativo no agradecimento ao garoto. "Já falei pro Mateus e vou repetir: Vou ser grato pro resto da vida pelo que ele fez pra minha filha, pois ele a salvou de algo ainda pior", disse.   

O lote onde ocorreu o ataque fica na esquina das ruas Corsina Pinto Campos e Vereador José Ernesto e a cerca de 100 metros da Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Isolina Barbosa Elias.

Ainda na noite de 1º de setembro, por volta das 20h, a Polícia Militar registrou um Boletim de Ocorrência sobre o caso. No entanto o animal ficou mantido sob a guarda dos proprietários, sendo que o morador Bélvio foi levado para prestar esclarecimentos na 2ª Delegacia Regional de Alfenas que fará a apuração do fato.  

 



DEIXE SEU COMENTÁRIO

Caracteres Restantes 500

Termos e Condições para postagens de Comentários


COMENTÁRIOS

    Os comentários são de responsabilidade exclusiva dos autores.

     
     
     
     

Nós usamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência em nossos serviços, personalizar publicidade e recomendar conteúdo de seu interesse. Ao utilizar nossos serviços, você concorda com tal monitoramento. Informamos ainda que atualizamos nossa

Estou de acordo