Postado em sexta-feira, 15 de junho de 2012 às 14:40

Estudo feito na USP revela que escolas não percebem violência

Um estudo, em seis escolas públicas de ensino médio, revela que atos de violência não são percebidos pelos supervisores pedagógicos.


Alessandro Emergente

Um estudo, realizado em seis escolas públicas de ensino médio de Alfenas, revela que atos de violência praticados na escola não são percebidos pelos supervisores pedagógicos. A pesquisa foi feita pela enfermeira Michelly Rodrigues Esteves em seu mestrado na Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da Universidade de São Paulo (USP).

Juntas, as seis escolas pesquisadas somaram aproximadamente 4 mil alunos, entre fevereiro e março do ano passado. A pesquisadora entrevistou nove supervisores pedagógicos nessas escolas e questionou as ações assumidas para o enfrentamento da violência.

Cada uma das escolas busca estratégias próprias, como: advertência verbal ou escrita, comunicação de pais ou responsáveis e, quando necessário, contato com o Conselho Tutelar, Guarda Municipal e até com o Ministério Público.

A pesquisa ressalta a necessidade de novas estratégias voltadas à orientação de alunos, funcionários, familiares e da comunidade para o enfrentamento da violência que ocorre no âmbito escolar.

Quadro Escasso

No período da coleta de dados, a segurança das escolas era realizada pela Guarda Municipal (GM), mais especificamente, pela Ronda Escolar. Entretanto, Michelly comenta que a assistência não ocorria da mesma maneira em todas as escolas, fato que pode se justificar pela existência, de apenas um GM para realizar a cobertura de todas as unidades de ensino.

MP e CT sem efetividade

Quanto ao Conselho Tutelar e o Ministério Público, a pesquisadora verificou que os supervisores não reconhecem a efetividade de ambos, uma vez que as escolas se sentem obrigadas, por imposição do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a receber nas salas de aula os estudantes infratores. Ao mesmo tempo, porém, essas escolas não têm acompanhamento para a prevenção de reincidências de casos, o que, segundo ela, torna qualquer ação apenas paliativa.

Apenas Danos Físicos

Michelly observou que, com relação às manifestações de violência, os supervisores geralmente limitam-se aos danos físicos e deixam de perceber determinados atos como violentos.
Grande parte dos supervisores referiu às discussões entre alunos, as quais envolvem professores, em determinadas situações. Mas, essas discussões foram relatadas como “algo natural”, justificável pelas divergências ou, até mesmo, pela adolescência.

Enfrentamento

Para enfrentar a violência, a pesquisadora alerta que é necessário desde a intervenção em violências cotidianas vividas pelas escolas, à conscientização dos profissionais, dos familiares e da comunidade, até às políticas públicas educacionais, destacando a relevância da atuação em rede.

A atuação conjunta dos setores saúde e educação é vislumbrada para o enfrentamento da violência. A parceria entre universidade e escolas é considerada fundamental para que os alunos almejem uma profissão, comenta a pesquisadora.

O mestrado Um olhar sobre a rede social no enfrentamento da violência escolar nas instituições de ensino médio de Alfenas foi defendido no curso de Pós-Graduação de Enfermagem em Saúde Pública, em fevereiro de 2012, sob orientação da professora Maria das Graças Bomfim de Carvalho.

 

Com informações da USP

 



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