Postado em sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Residências fantasmas na mira da Polícia Militar

Henrique Higino

Casas com as fachadas bem conservadas, imóveis aparentemente residenciais, que permanecem quase todo o tempo com as portas e janelas fechadas e abertas apenas para atender uma apressada “clientela”. A numeração dos imóveis e o "comércio" mudam de local constantemente, mas o endereço é o mesmo: Rua Mato Grosso, Bairro Santa Luzia.

Nessa rua, pelo menos quatro imóveis são usados - aleatoriamente - para o tráfico de drogas. A característica externa desses imóveis, sempre fechados e com vasta movimentação de “clientes” de crack e cocaína (a rua não vende maconha), tem semelhança também do lado interno: todos são vazios, sem móveis ou eletrodomésticos. Em seu interior, apenas adolescentes ocupam os cômodos vázios, sempre perto das janelas, onde a droga é entregue.

Os imóveis não são usados, ao mesmo tempo, para o tráfico de drogas. Enquanto uma residência serve como "boca", as outras permanecem fechadas. Fontes policiais revelam que o objetivo dos traficantes é tentar “enganar” a Justiça que pode interditar imóveis usados pelo tráfico.

Em junho de 2007, a Juíza de Direito da Vara Criminal da Comarca de Alfenas, Adriani Freire Diniz Garcia, determinou a “indisponibilidade temporária” de um imóvel situado na rua Evaristo da Veiga, 339, centro, por envolvimento com o tráfico.

Segundo fontes policiais, os imóveis da Rua Mato Grosso “permanecem vázios para servirem como justificativa do proprietário à Justiça, que pode alegar que o imóvel foi invadido e nem sabia que era usado por traficantes”

Tático Móvel invade o número 74

Na tarde desta sexta-feira, o Tático Móvel invadiu o imóvel de número 74, na Rua Mato Grosso. Os “Policiais da Blazer” entraram na residência quando viram um suposto “usuário” deixando o local. Ele foi detido com dois papelotes de cocaína.

No interior do imóvel de número 74, os policiais encontraram apenas a casa vazia. Uma escada, no fundo do quintal, apontava o caminho por onde o traficante fugiu.

Em agosto deste ano, esses imóveis da rua Mato Grosso foram “visitados” pela polícia e a tática de fuga foi a mesma.

Flagrante delito

A lei determina que um imóvel só pode ser violado por autoridades com mandado judicial, durante o dia. À noite, ou sem mandado, o policial só pode entrar na residência para prestar socorro ou em caso de flagrante delito.

E, esse último recurso - o flagrante - está sendo usado pela PM, que promete entrar em pontos de droga quando flagrar usuários deixando o local, mesmo em período noturno.

Mais drogas

Longe da rua Mato Grosso, do outro lado da cidade, na avenida Henrique Munhoz Garcia, no Bairro Jardim Boa Esperança, a PM apreendeu mais drogas nesta sexta-feira. Desta vez, quatro papelotes de cocaína foram encontrados com Alexandre Silva Borges, 34 anos.

A PM chegou até o acusado após uma denúncia anônima informando que ele estava vendendo drogas naquele local. O rapaz negou aos policiais que a droga era para ser vendida. Disse que comprou no Bairro Santa Lúzia.

Acima, droga apreendida no Jd. Boa Esperança; períca constata ser cocaína. Abaixo, droga que saiu do número 70, da Rua Mato Grosso.

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