Postado em quarta-feira, 22 de agosto de 2018 às 15:03

Atleta alfenense enfrenta maratona na neve na Terra do Fogo

A alfenense Gisele Singi enfrentará 42 km na Maratona do Fim do Mundo, no sul da Argentina.


Alessandro Emergente

Força, determinação e exemplo. Essas três palavras ajudam explicar a dedicação de uma atleta alfenense, de 53 anos, que parte para mais um desafio: dessa vez na província da Terra do Fogo, no Sul da Argentina. Serão 42.195 Km em terras montanhosas, cobertas pela neve.

Gisele Bastos Singi estará pela primeira vez na Maratona do Fim do Mundo, nome dado a prova realizada em Ushuaia, localizada nas ilhas do Atlântico Sul, na Região Patagônica – o local fica a 800 km da Antártida. No domingo pela manhã, a partir das 7h30 da manhã (pelo horário local ainda, os atletas largarão no escuro), Gisele inicia mais um desafio da carreira de atleta.

Como se não bastasse enfrentar a neve, os 300 atletas, que disputam a Maratona do Fim do Mundo, farão um trajeto com cinco tipos de neves, o que exige técnicas e estratégias diferentes para cada trecho. Por ser uma região montanhosa, os atletas precisarão utilizar o bastão nas descidas, com trechos íngremes.

Largada na escuridão

Às 7h30, horário local, os atletas iniciam a competição em meio a escuridão – o sol só aparece cerca de duas horas depois. Antes disso, os competidores precisam recorrer a lanternas para não se perderem no trajeto.

Gisele diz que a preparação mental será fundamental para enfrentar os 42 km da maratona (Fotos: Divulgação)


Para exemplificar as dificuldades da prova, Gisele conta que cada competidor precisa largar com uma série de equipamentos obrigatórios de emergência, o que inclui jaqueta impermeável, bandana, gorro, boné, óculos de proteção, apito para caso o atleta se perca, três lanternas (devido a baixa durabilidade na neve), sendo uma na testa e outras duas no braço e na mão, entre outros itens. Tudo isso, garante cerca de mais 3 kg de peso na mochila para carregar durante a maratona.

Utilizando roupas especiais, como tênis permeável e calça térmica, os atletas precisam percorrer os trajetos em um tempo mínimo determinado pela organização da prova. São os chamados pontos de corte, que ocorrerão com 3h15 (no km 26) e após cerca 5h50 de corrida (no Km 35). O atleta que chega a esses pontos além do tempo mínimo é desclassificado para a própria segurança. O entendimento é que a exposição excessiva na neve, em condições adversas, pode ser perigosa.

A previsão é fazer a prova em 6 horas. “Não é uma prova de velocidade e sim de resistência”, explica Gisele ao afirmar que definir uma estratégia certeira será fundamental.

Ventos de 40 km por hora

Além do frio intenso (a expectativa é que os atletas enfrentem de 0° C a 7° C negativos), Gisele diz que o vento é uma das grandes situações adversas. Ela espera que no dia esteja em cerca de 40 km por hora. “Há um desgaste em romper essa barreira do vento”, comenta.

A bela paisagem compõe o cenário de uma das maratonas mais badaladas do mundo (Foto: Divulgação)


Gisele sairá de Alfenas na quinta-feira, quando segue para São Paulo. De lá, na manhã de sexta-feira, parte em um voo para a Argentina. No sábado, passará pelo período de aclimatação, além de participar de três palestras obrigatórias.

Durante a prova, a atleta gravará vídeos para uma agência de viagem do Rio de Janeiro, a Turismo Sob Medida, que patrocina a sua participação na Maratona do Fim do Mundo.

Atletas do mundo inteiro

Os 300 inscritos para a prova são das mais diferentes regiões do mundo: europeus, canadenses, norte-americanos e da própria região da Patagônia. Gisele admite que muitos competidores, que vivem em regiões onde tem neve, levam vantagem por realizarem treinamentos específicos. Mas a estratégia mental é considerada por ela como ponto fundamental.

Além da rotina de ser coordenadora de uma escola de inglês em Alfenas, a alfenense precisa acordar todos os dias por volta das 5h30 da manhã para os treinamentos. São de 10 a 15 km durante seis dias da semana. Aos sábados, ela diminui um pouco o ritmo para correr junto com um grupo de corredores da cidade.

Além disso, a rotina inclui musculação quatro vezes por semana e aulas de pilates, que ajuda a disciplinar a respiração, ponto chave para as corridas. Essa disciplina ajuda a atleta a mencionar uma condição importante: nunca se lesionou em oito anos competindo.

Um lobo no meio do caminho

Gisele já acumula na carreira de atleta quatro participações na ultramaratona da Patagônia, de 80 hm. São de 15 a 18 horas sem parar. Em uma das edições, em 2015, ela viveu uma situação inusitada: encontrou com um lobo pelo trajeto. Mas nem o medo a afastou dos desafios na neve.

Para a atleta, a “consciência corporal” de saber o limite e fundamental para cada atleta. Ela conta que se prepara para não ultrapassar 75% de seu limite, o que faz finalizar as provas sem estar extenuada. “Sua limitação está no seu corpo ou na sua mente”, diz Gisele ao afirmar que a preparação mental é decisiva.

Adotar uma vida saudável e de superação é para Gisele um exemplo que gosta de deixar para outras pessoas e isso a inspira na trajetória como atleta. Ela também estará, em breve, na telona. Ela está no elenco de “Na Flor da Pele II”, que será lançado até outubro. No filme, o atletismo compõe a sua personagem.

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