Postado em quarta-feira, 13 de setembro de 2017 às 08:05

Brasil testa sistema neozelandês de leite com a raça gir

A Nova Zelândia, maior produtor e fornecedor mundial de leite, está exportando cada vez mais seu sistema de produção e sua genética para a América do Sul, inclusive para o Brasil. É no extremo sul do Chile, na conhecida Região dos Lagos, onde mais podem ser encontrados animais com sangue neozelandês. A reportagem de Globo Rural esteve na província de Osorno e conheceu de perto as tecnologias e o sistema de produção leiteiro da Nova Zelândia que estão sendo aplicados nos campos locais e logo devem ganhar adeptos também no Brasil.

O Chile foi o primeiro alvo sul-americano da Nova Zelândia na região para firmar parcerias comerciais na agropecuária. Isso porque o país vizinho tem características semelhantes às da potente ‘ilha do leite’, na Oceania, principalmente quando se fala em clima e topografia, além do tipo de solo.

Entre as diretrizes do sistema neozelandês estão a criação totalmente ao ar livre, o cuidado com a qualidade dos pastos, a alta conversão de alimento em leite e os partos sazonais, uma vez por ano. A raça predominante é a holstein, ou holandesa, mas com algumas características específicas incorporadas após anos de seleção genética realizada na Nova Zelândia. As vacas não têm uma estatura muito elevada nem são muito pesadas. A Nova Zelândia seleciona também o jersey, cuja origem é suíça.

Em média, os animais neozelandeses pesam 100 quilos a menos que a média para a raça na América Latina, que fica entre 650 e 680 quilos, conforme especialistas consultados. Isso faz com que os animais comam menos, mas não significa que produzam menos leite. Pelo contrário. O agrônomo Claudio Zumelzo, que gerencia um rebanho de 900 vacas em produção, mais 480 novilhas e 380 bezerros, em Osorno, atesta: “Aqui, a média de produção diária é de 22 litros por vaca. Ao todo, são de 4 milhões a 4,5 milhões de litros por ano. Tudo destinado à produção de queijos”, afirma. Os animais pastejam em sistema de piquete numa área de 580 hectares. “Essas vacas saem daqui para a ordenha e só retornam a essa área que estão agora daqui a 30 ou 40 dias”, acrescenta ele. Nesse sistema, o pasto fica sempre farto, garante o agrônomo.

Com o clima da última safra, a regeneração da pastagem foi extraordinária e antecipada, conta o chileno. “Normalmente, há uma seca em janeiro e fevereiro. Neste ano, não ocorreu isso e a temperatura baixou ao final de fevereiro. Isso fez nosso pasto crescer mais rápido em março, o que normalmente acontece em abril”, explica.

Claudio conta ainda que o sêmen importado da Nova Zelândia chega ao Chile a um custo entre 5 mil e 6 mil pesos por dose (o equivalente a R$ 30) e que as compras ocorrem uma vez por ano. Em média, os animais em produção estão na terceira ou quarta lactação e, segundo o agrônomo, a produtividade segue bem até a sexta lactação. Depois, a vaca vai à engorda, para ser vendida.

A fertilidade das vacas neozelandesas é considerada uma das mais altas do mundo. Como só há um curto período de inseminação, que dura de quatro a seis semanas, os animais que ficam dentro do sistema são somente aqueles com alta taxa de prenhez. As vacas vazias são eliminadas do sistema. E, como a criação é 100% pastoril, o rebanho neozelandês fica totalmente exposto ao clima temperado do país, o que torna os animais mais resistentes e robustos.

Neozelandês no Brasil

O Brasil já está testando a genética da Nova Zelândia. Segundo Cristian Uribe, gerente comercial da CRV na América Latina, fazendas em Minas Gerais e Goiás atualmente possuem um rebanho com 400 novilhas três quartos com genética do país. “Fizemos seleção de doadoras gir, cumprindo um padrão de animais retangulares, de 450 quilos, com abertura de peito e maior fortaleza. Para meio-sangue, usamos touros de bom tipo holandês e jersey, sem muita estatura e com muita fortaleza. No filho meio-sangue, colocamos touros da Nova Zelândia para fazer esse três quartos pastoril”, explica Cristian. Ele diz que dentro de um ano será possível ter resultados específicos de desempenho do animal. A primeira medição será com a idade que entrarão no programa reprodutivo, além de como serão prenhadas, como vão parir e a idade do primeiro parto. Ele prevê que os animais três quartos entrarão no sistema com 16 ou 18 meses.

O Brasil, segundo Rhianon Berry, comissária de negócios da Nova Zelândia, é um mercado importante para o país vender suas tecnologias. “Estamos analisando onde podemos trabalhar e adaptar sistemas da Nova Zelândia. Há setores relevantes no Sul e Centro-Oeste e também estamos vendo oportunidades na Bahia”, diz.

 

 

Fonte: Portal do agronegócio

















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