O cair das máscaras


No universo atual de delações de ouvir dizer de empresários submetidos a prisões abusivas, tivemos ontem notícia de uma verdadeira delação. Sem prisão prévia e calcada em evidências claras.

Um dos sócios da JBS ( Friboi), Sr. Joesley Batista, levou provas irrefutáveis, consubstanciadas em gravações, que atingem de forma irremediável o pilar político do golpe contra a democracia, os direitos sociais e a soberania do Brasil.

Curiosamente a Friboi, que no imaginário da parte odienta da classe média brasileira “com certeza é do filho de Lula”, pagou em malas de dinheiro propina para Aécio Neves ( que é Presidente Nacional do PSDB e senador da República). Dois milhões, em malas de dinheiro. Em linguajar que deixaria corado Al Capone, Aécio afirma que o recolhedor da propina tinha de ser alguém que pudesse matar se delatasse. Curiosamente as malas foram entregues em locais ligados aos Perrelas ( quem sabe um dia se explicará o até então inexplicável avião cheio de cocaína?).

Não. Não estamos falando de delação de ouvi dizer, sem testemunhas, que ninguém viu, ou com base em e-mails falsificados, papéis unilaterais ou documentos já destruídos. Certamente estas não seriam aceitas contra o PSDB, até porque nunca o foram. Não estamos falando de delações com a utilização de prisões de pessoas próximas ao político escolhido como chefe da quadrilha ( como já disse mais de uma vez aqui se Moro utilizasse os mesmos métodos que utiliza já teria prendido Andrea Neves para força-la a uma delação). Não estamos falando em apartamento ou sítio que está em nome de terceiros. Falamos de dinheiro vivo. O que o sócio da FRIBOI fez foi exibir uma prova absolutamente irrefutável. Delação de quem não estava preso, sem qualquer tipo de pressão, com provas. Não dá para esconder. Não é possível mais fingir que não existe.

Já com relação ao presidente do golpe, Michel Temer, alçado a salvador da pátria pela mídia, e verdadeiramente traidor do povo brasileiro ao impor um governo em aliança com as forças que foram sistematicamente derrotadas nas urnas, evidenciou-se que comprava claramente o silêncio do outro articulador do golpe, Eduardo Cunha. Aliás, terminada a mesada de Cunha, espera-se que o mesmo fale.

Aqueles milhões que foram às ruas pedir a saída de Dilma por causa de uma “ pedalada fiscal”, aqueles deputados e senadores que, de verde e amarelo, sepultaram a democracia, para impor uma agenda de ataque aos direitos do povo brasileiro, aqueles juízes e promotores que impuseram até então uma caçada implacável para supostos crimes alimentados por suas próprias convicções pró-impeachment, agora podem enxergar, ao vivo e a cores, as entranhas fétidas que graças a uma delação espontânea devidamente com provas chega ao conhecimento de todos.

Outros pilares do golpe logo serão decifrados, como a atuação da mídia ( especialmente da rede Globo) e dos estrangeiros. Também teremos de saber realmente o motivo do Juiz de Curitiba não achar importantes perguntas da defesa de Cunha a Temer ( que indicam os portadores da propina agora conhecidos) e não se importava em oferecer sorrisos e rir ao lado de alguns suspeitos ( como Temer e Aécio). Será desvendado o motivo de entidades como MBL e “ vem pra rua” serem tão dóceis e amáveis com estes senhores agora devidamente desmascarados.

Pergunta-se: se não fossem as gravações do dono da FRIBOI, tal justiça continuaria assim? Agindo com um tremendo rigor contra um lado e dando sorrisos com os expoentes do outro?

Isto posto, concluo:

Dallagnol e Moro precisam fazer um recall no power point e parar de sorrir em fotografias para acusados que embora não sejam os chefes da corrupção no mundo de suas convicções são evidentemente parte de uma quadrilha no mundo das provas. Devem aplicar o direito, com as provas que autorizam sua aplicação, para todos, sem abusos e sem arbitrariedades, contra quem quer que seja.

O STF, bem... O STF precisa ser STF.

Aqueles que foram às ruas, que se engajavam nas redes sociais e que acreditaram no discurso moralista de Aécio Neves e seus pares precisam fazer uma profunda reflexão, inclusive sobre mediocridade e sobre como foram manipulados. Devem refletir sobre como a mídia os levou a tal conduta. Devem isso para nós outros, que incansavelmente temos resistido. Devem se somar, nas ruas, aos que denunciaram o golpe. Ou então se recolher à própria insignificância.

Temer tem de sair, com renúncia, impeachment ou mesmo preso, segundo interpretação de alguns juristas em razão da evidente obstrução da justiça.

É preciso pressionar o Congresso que esta aí, formado em boa parte por bandidos golpistas, a votar para ontem emenda que antecipe eleições para este ano e que estabeleça o financiamento público de campanha.
Repito: somente eleições livres podem restabelecer a democracia no Brasil.

Diretas, já!


 
 
Daniel Murad Ramos
Advogado
Foi por duas gestões Presidente da OAB de Alfenas, na qual exerceu também os cargos de Conselheiro e Vice- Presidente. Atualmente é Conselheiro Estadual de OAB de Minas Gerais.

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